MPF pede a condenação de dez réus por fábrica clandestina de fuzis em Santa Bárbara e Americana
Procuradoria também solicitou a absolvição de um acusado por falta de provas sobre participação no esquema interestadual

Estrutura criminosa instalada na RMC usava fachada de peças aeronáuticas para produzir armamentos e abastecer o Rio de Janeiro.
O Ministério Público Federal (MPF) apresentou alegações finais e pediu a condenação integral de dez réus investigados por integrar uma organização criminosa transnacional dedicada à fabricação clandestina e ao tráfico interestadual de armamento de grosso calibre. O documento, assinado pelo procurador da República Fernando José Aguiar de Oliveira no dia 28 de setembro, solicita ainda a absolvição de um 11º acusado por falta de provas de que ele tivesse conhecimento das atividades ilícitas do grupo.
As investigações apontam que a quadrilha montou uma estrutura com divisões operacionais na Região Metropolitana de Campinas. O grupo mantinha uma empresa com fachada de produção de peças aeronáuticas em Santa Bárbara d’Oeste para fabricar fuzis modelo AR-15 e utilizava um imóvel em Americana como depósito do armamento montado. O material bélico tinha como destino o abastecimento de facções criminosas em comunidades do Rio de Janeiro, incluindo os complexos do Alemão e da Maré.
A operação policial que desarticulou o esquema ocorreu em agosto do ano passado, quando os agentes localizaram a linha de montagem clandestina em Santa Bárbara d’Oeste e apreenderam 183 armas em Americana. Um dos acusados, denunciado especificamente pela importação de peças bélicas oriundas dos Estados Unidos, responde às acusações em processo judicial separado.
O andamento processual registrou audiências de instrução para ao menos oito acusados em agosto. Em setembro, a Justiça Federal restabeleceu a prisão de três integrantes do grupo que haviam obtido liberdade provisória, atendendo a um recurso protocolado pelo órgão ministerial. Como a ação penal ainda tramita sem sentença definitiva, os acusados respondem sob a presunção legal de inocência.
O único réu para quem o MPF recomendou a absolvição é Wendel dos Santos Bastos, cuja ação corre na Justiça Federal do Rio de Janeiro. A defesa dele afirmou que os autos comprovam a inocência do cliente e que apresentará suas alegações finais reforçando o pedido de arquivamento total das imputações.
A redação do Diário RMC vai acompanhar o julgamento do processo na Justiça Federal, a manifestação da defesa dos demais acusados e a eventual prolação de sentença pelo magistrado responsável pelo caso.
O outro lado
Direito de resposta e contraditório, conforme a Lei 13.188/2015.
Wendel dos Santos Bastos— Respondeu em 01 de outubro de 2026
O advogado Dinael de Souza Machado Júnior afirmou que sempre sustentou a inocência do cliente, evitou prisões preventivas no processo e ressaltou que a manifestação do MPF reflete as provas dos autos, aguardando absolvição integral da Justiça Federal.
Demais réus denunciados pelo MPF— Resposta solicitada
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Fontes
MPF pede condenação de dez e absolvição de um réu por esquema de fábrica clandestina e tráfico de fuzis em SP e RJ; veja alegações (g1 Campinas e Região)primária(01/10/2026)
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