Projetos no Congresso propõem volta de gasolina sem etanol para preservar veículos não flexíveis
Propostas em análise em Brasília surgem após a introdução da mistura com 32% de álcool nos postos de abastecimento.

Condutores da Região Metropolitana de Campinas com automóveis antigos ou apenas a gasolina sofrem desgaste mecânico com a nova fórmula.
A adoção da gasolina padrão E32, que reúne 32% de etanol anidro na mistura vendida aos consumidores, motivou a apresentação de projetos no Congresso Nacional para restabelecer a comercialização de combustível puro ou com teores reduzidos de álcool vegetal nos postos do país.
A mudança nas bombas atinge motoristas da Região Metropolitana de Campinas proprietários de carros antigos, modelos clássicos e veículos sem tecnologia flex. Estimativas nacionais apontam que cerca de 30 milhões de automóveis em circulação rodam sem motores bicombustíveis, ficando sujeitos a desgastes causados pelas características químicas do álcool.
Mecânicos e peritos apontam que o etanol absorve umidade com facilidade, retendo água nos reservatórios metálicos. Em carros que passam períodos parados ou que não foram preparados de fábrica para a mistura, essa reação acelera a corrosão do tanque, quebra bombas de combustível e desgasta componentes como agulhas, velas e tubulações, além de diminuir a eficiência energética e encarecer o abastecimento.
Para tentar reverter o quadro, o Projeto de Lei 2.783/2026 busca modificar a Lei 8.723/1993 a fim de obrigar a disponibilidade de gasolina totalmente sem etanol, a chamada E0. A iniciativa se baseia em avisos formais emitidos pela Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA) relativos aos danos mecânicos verificados na frota.
Outra proposta, o Projeto de Lei Complementar 249/2026, sugere autorizar as unidades federativas a permitirem o fornecimento das opções E0 e E10 (com até 10% de etanol) de acordo com a realidade regional. No Senado, uma sugestão popular apresentada pelo portal e-Cidadania reuniu mais de 20 mil assinaturas para pleitear a volta de combustíveis com menos aditivação.
Historicamente, o uso do etanol anidro avançou na década de 1970 com o programa Proálcool para atenuar choques do petróleo internacional, exercendo hoje papel ambiental e antidetonante contra poluentes na atmosfera.
A redação acompanhará o avanço dos projetos pelas comissões temáticas na Câmara e no Senado, bem como os impactos regulatórios para distribuidores e revendedores de combustíveis nas cidades da região.
Fontes
Gasolina sem etanol pode voltar a ser vendida no Brasil; veja propostas (Estadão)primária(25/09/2026)
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